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Ilha do Mel de Carona

A ilha do mel está situada no estado do Paraná e pertence a Paranaguá. Trata-se de um lugar com paisagens excelentes com potencial para diversas atividades: caminhadas, fotografia, esportes aquáticos e turismo histórico. Mais informações sobre o local: http://www.ilhadomel.com/

A primeira vez que fui à Ilha do Mel foi em 1999. Estava no último ano da faculdade, contabilizava já quase quatro anos de experiência em pegar carona para visitar meus pais, era bastante jovem, tinha pouquíssimo juízo e dinheiro. Pra completar o quadro, um colega de república e grande companheiro de viagens (Julio Reitor) basicamente nas mesmas condições.

A ideia de ir à Ilha do Mel partiu do Julio. Conversávamos frequentemente sobre viagens como esta: baixíssimo custo, pouco roteiro e com grandes chances de se transformar em roubada. Esta viagem, aliás, não foi de fato a primeira que fizemos no estilo “custo tendendo a zero”. Antes disso já havíamos ido a Castro/PR e descido até a Serra da Esperança, ambas de carona. De maneira geral em todas as viagens conseguimos nos manter fiéis às diretrizes básicas: custo, pouco roteiro, roubada.

Plano A: dirigir-se à BR 277 em Guarapuava, saída principal para Curitiba, em busca de uma carona. Uma vez em Curitiba, tentar novamente carona para o litoral. Chegar em Guaratuba, procurar um amigo do Julio (o Guilherme) que estava vendendo uma barraca a preço muito acessível e dirigir-se à Ilha do Mel.

Plano B: inviável. Qualquer outro plano envolveria uma quantia de dinheiro que não possuíamos. Ou então, desistir e voltar pra casa de cabeça baixa, mas isso não admitíamos.

Rumo à Ilha

Ambos tínhamos experiência com caronas e sabíamos como poderia ser difícil consegui-la. Além disso, não dava pra descartar a hipótese de encarar a frustração, caso não conseguíssemos. Não conseguir realizar o primeiro trecho na data prevista não invibializaria a viagem, mas já seria um balde de água fria. Não foi o que aconteceu, não demoramos a conseguir a primeira carona. Quem é estudante e já pegou carona sabe como uma genuína placa de papelão escrita com pincel atômico: “E S T U D A N T E – D E S T I N O” pode ajudar. Pegamos carona em um caminhão carregado. Certeza de viagem demorada. Nada grave.

Chegando em Curitiba, o motorista que nos deu carona até lá nos deixou na saída para o litoral. Não tivemos nem muito tempo pra pensar. A caminho de um lugar com alguma lombada ou algo do gênero, já arriscamos levantar o polegar. Apesar de parecer difícil de acreditar (nossa reação foi a mesma), eis que um carro vai rapidamente pro acostamento e o motorista pergunta para onde estávamos indo. O sujeito ia para Pontal do Paraná. Perfeito.

Acampamento da PR

Guilherme, Julio, Ricardo

Próximos ao litoral, em vez de ir a Pontal do Paraná diretamente, o sujeito resolveu fazer o trajeto por Matinhos. Não sabemos se fez isso para nos ajudar, mas o fato é que facilitou muito a nossa vida. Uma vez em Matinhos, ir a Guaratuba seria muito fácil. Conseguimos chegar em Guaratuba, pouco depois do anoitecer. Até aquele momento, sem gastar nenhum centavo. Como o amigo do Julio era policial rodoviário e estava acampado na área de camping da polícia para a operação de verão, conseguimos um espaço e dormimos por lá mesmo. Barraca comprada (e agora com a perspectiva de ter um lugar pra dormir na Ilha do Mel), partimos no dia seguinte para a travessia até a ilha. Via Pontal do Sul, pois se fôssemos por Paranaguá, gastaríamos consideravelmente mais grana.

Na ilha do mel, breve pesquisa de preços pelos campings, analisada a relação custo/benefício das opções, instalamos a barraca e começamos a exploração da ilha.

Praia deserta

Praia Deserta

Subindo…

Praia Deserta

Praia Deserta, uma das mais bonitas e calmas

Praia do Farol

Praia do Farol

Praia do Farol

Praça dos Canhões (Fortaleza)

Praça dos Canhões

Praça dos Canhos, acima da fortaleza

De volta pra casa…

No último dia, hora de levantar acampamento. Foi uma pena não ter encontrado o protetor solar no banheiro do camping antes. Desnecessário dizer que com uma das diretrizes básicas sendo custo baixo, não havíamos levado sequer um protetor barato.

Travessia de volta, ônibus para Paranaguá, passada pelo porto. Lembro de olhar assombrado para a altura dos navios atracados por lá. Toca pra rodovia pra achar uma lombada e tirar as placas de carona da mala. O encontro da falta de juízo com um pouco de sorte é sempre bem-vindo. Reconhecidos por um caminhoneiro que já nos dera carona de Guarapuava a Castro, foi fácil chegar a Curitiba. Apesar desse golpe de sorte, essa carona nos reservava uma surpresa. Nosso amigo caminhoneiro iria entregar uma carga de calcário e falou para o esperarmos; em uma hora ele estaria de volta e poderia nos levar até Guarapuava. Melhor impossível.

Esperando...

Esperando…

Aí é que vem a surpresa. Uma hora, duas, três e percebemos que teria sido fácil de mais. Consultamos os restos do pouco que gastamos, dava pra chegar até Ponta Grossa. Julio já havia morado na cidade e poderíamos nos locomover facilmente por lá. Curitiba a Ponta Grossa de ônibus, Terminal Central até o Terminal Nova Rússia e outro ônibus até a polícia rodoviária. Bom lugar para se pegar carona. Baixa velocidade, relativa segurança. Um pouco de espera e conseguimos uma carona com um sujeito que ia a Prudentópolis. Perfeito. Os pais do Julio moravam em Prudentópolis e o motorista precisava de alguém que servisse o chimarrão para ele. Chegamos tranquilamente em Prudentópolis. Praticamente em casa, para o Julio, literalmente em casa.

Dia seguinte, pegar carona no posto de gasolina onde trabalhava o pai do Julio. Pegar carona em posto de gasolina é bem mais tranquilo. Certo? Sim e não. Sim porque se pode abordar a pessoa com calma, explicar quem você é, para onde vai, etc. etc. Não, se você abordar um cidadão alemão, passando as férias no Brasil, tentando falar em inglês com ele, tendo em vista que nem eu, nem o Julio e, claramente, nem ele sabiam o que estavam dizendo! Felizmente chegou um cara que o estava acompanhando e servindo de intérprete ao alemão, na viagem dele no Brasil. Ele deu risada, perguntou como estávamos tentando nos comunicar com ele e ficamos sabendo que, apesar do esforço que fazia, não sabia praticamente nada de inglês. Obviamente, nós, também não.

Eles iam a Foz do Iguaçu. Toparam nos deixar em Guarapuava. Viagem tranquila, enquanto o alemão criticava nossas estradas pedagiadas em más condições e espantava-se por sermos estudantes no nível superior e não termos nem um carro velho pra nos locomover. Reclamava tanto e criticava, mas gostava de passar o verão por aqui (fugindo do inverno de lá). Quando se pega carona você aprende que não é uma boa ideia discutir profundamente assuntos como esses, a menos que o seu interlocutor esteja a fim, o que não era exatamente o caso. Chegamos bem, nossas peles ainda descascariam, mas as memórias e as fotos ficariam.

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Sobre Ricardo Rech

Adora viajar, fotografar e escrever. Viajando descobriu que, no seu caso, o que realmente importa na vida são as histórias pra se viver e pra contar. E ainda acha estranho falar de si mesmo em terceira pessoa.

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