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Campinas – SP

 

Esta foi uma das longas viagens que fiz com o grupo de estudantes-bolsistas-pesquisadores de Filosofia. Nesse caso, longas horas de viagem em um micro-ônibus. Não lembro muito bem, mas acho que foi uma das primeiras viagens que fiz a grandes centros. Ainda me assustava com o tamanho das cidades, com a loucura no trânsito, com os contrastes entre prédios comercias, casas bonitas e logo ao lado uma favela, e coisas do tipo. Não que isso não seja comum, mas nos grandes centros me parece que é tudo ao extremo. No entanto, pode ser aquele velho hábito que temos de nos acostumarmos com certos problemas das nossas cidades de origem, e só abrirmos os olhos quando estamos em um lugar diferente. É justamente a mudança de perspectiva que as viagens proporcionam que é muito interessante pra mim. Percebemos, quando viajamos com nossos olhos realmente abertos, que somos tão pequenos e nossos problemas são menores ainda.

Mas não é só isso que podemos descobrir em uma viagem. Sempre procuro conhecer a cultura local, os costumes, a culinária e levar comigo um pouquinho disso. Por isso, sempre digo que se for viajar para a praia aproveite o mar, procure conchinhas na beira da praia, coma muito peixe. Para mim não faz sentido reclamar do calor, do sol, da água salgada quando foi você que escolheu ir à praia. E se for para um lugar muito frio, beba muito vinho! Tendo isso em mente, relaxe e com certeza você vai aproveitar a viagem. Além disso, podemos aproveitar coisas que, as vezes, não temos em nossa cidade.

Nessa época, morava em Toledo, no Paraná, e por lá não existiam muitos sebos e lojas de vinis. Quando chegamos em Campinas, nós estudantes de filosofia que, geralmente, somos ratos de sebo, fomos logo procurar alguns… Nesta hora, é importante ser humilde e não ter vergonha de perguntar para onde ir. Nos indicaram um caminho e fomos conferir. Haviam alguns bastante interessantes. Mas voltaremos a este assunto logo adiante.

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Alojamentos

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Ficamos alojados em um ginásio enorme. Haviam barracas e colchões por todos os lados. Situação complicada no banheiro feminino. Só quem é mulher sabe como é. Filas para tomar banho em cubículos com portas abertas. Filas para conseguir escovar os dentes, fazer xixi… Nessas horas, esqueça a vaidade. Se arrumar em frente ao espelho era impossível. Não haviam tomadas suficientes para tantos secadores e chapinhas. Aqui vai uma dica: tentar ser prático em uma viagem, faz com que você aproveite mais a viagem. Isso não quer dizer que você precise sair descabelada e de pijama. Mas em situações como esta, praticidade e rapidez ajudam muito.

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Sebo O Casarão (http://www.sebocasarao.com.br/)

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Antes de entrar, em frente ao sebo encontramos um artesão com alguns de seus trabalhos feitos com arame. Simplesmente impressionantes!

E quando entrei no Casarão, achei fantástico! Primeiro, por que era realmente um casarão com todas as salas e cômodos quase formando um labirinto… Em todas as salas você encontra livros, revistas, dvd’s, cd’s, vinis! Adoro vinis! Sempre quero comprar todos! A surpresa maior foi quando entrei em um cômodo do casarão que parecia ser uma sala de jantar.  Era um espaço grande com prateleiras com discos por todas as paredes… Aquilo era o paraíso para mim! Os vinis estavam todos organizados por estilo… Rock progressivo, rock anos 60, 70, 80, new age… Nunca vi uma sessão de vinis tão organizada. Além disso, o senhor que me atendeu e que estava cuidando da limpeza e organização dos discos era impressionante! Ele limpava, os separava e embalava com tanto cuidado que era bonito de ver… Gostei mais ainda dele quando perguntei se encontraria um vinil da Koko Taylor e ele não me olhou estranho… Ele sabia do que eu estava falando… Já aconteceu comigo algumas vezes, de perguntar e nos sebos as pessoas não fazerem a menor ideia de quem era Koko Taylor… e pra quem não sabe, ela é uma cantora com um vocal poderoso de blues e R&B!! Tudo bem que ele não tinha nenhum disco dela, mas o sensação de ser compreendida valeu a pena. Era impossível sair de mão vazias de lá. Comprei livros e outros vinis… Um dos que comprei neste sebo foi “Suite for flute and Jazz Piano” de Jean-Pierre Rampal, um flautista francês, que não conhecia. Nesse caso, me encantei com a capa… e resolvi arriscar!  Eu considero esse um dos prazeres de revirar sebos, descobrir novos autores, novos sons. Pode ser mais fácil pela internet, mas no sebo é mais emocionante! Se for um livro ler uns trechos, se for um vinil pôr no toca-discos e se transportar para um mundo paralelo com apenas um fone de ouvido.

Estava tão empolgada com tudo que quase fui deixada pelo ônibus. Fui uma das últimas a entrar e todos já estavam impacientes, pois haviam outros sebos que visitaríamos naquela tarde. “Nossa, porque tanta pressa?” foi o que eu pensei. Coisas boas deviam ser saboreadas com mais calma.

Haviam outros sebos naquela região, foi uma caçada e tanto, mas sem dúvida o Casarão foi o que se destacou.

Em um sebo próximo, descobri “Woody Allen – O nada e mais alguma coisa”. Um livro de tirinhas sobre o cineasta, de Stuarte Hample. Devorei o livro na volta para o alojamento. Muito bom!

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UNICAMP (http://www.unicamp.br/unicamp/)

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Sei que universidades não fazem parte de um roteiro turístico, na maioria das vezes… Mas como nós estávamos participando de um evento na PUC, éramos acadêmicos do curso de Filosofia na época, resolvemos visitar a UNICAMP. Sempre ouvíamos falar que era enorme, que aconteciam muitos eventos, programações culturais, pessoas tocando em algum lugar da universidade… Fomos conferir! E realmente, tudo isso acontece! Acontecia um evento que tinha na programação a exibição do filme “O cheiro do ralo”. Fomos assistir. Muito bom! Quem não assistiu, recomendo. O filme é baseado no livro homônimo de Loureço Mutarelli que também é muito bom. e o filme tem no elenco Selton Mello, que está excelente no papel de Lourenço. Depois de longas caminhadas dentro da UNICAMP, encontramos músicos tocando blues e fazendo um duelo de gaitas em um dos saguões… Eram músicos excelentes. Mais um momento inesperado que acaba fazendo o dia valer a pena…

E pra quem gosta de um lugar mais alternativo, saber onde se localiza a universidade da cidade, se tiver, é uma boa dica, pois próximo ou mesmo dentro do campus, sempre tem um barzinho onde as pessoas se encontram. Não conheço todos, mas os que eu conheço, são bons.

Mais uma viagem sem planejamento turístico que rendeu bons momentos!

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Sobre Andressa

Professora de filosofia que gosta de viajar, fotografar, cantar, cozinhar, entre outras coisas. Faz aulas de piano, mas ainda não toca nem o "Parabéns pra você". E, até hoje, não conseguiu entender por que as pessoas riem mais dela quando ela é ela mesma do que quando ela conta uma piada.

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Publicado às junho 11, 2013 por em Geral e marcado , , , , , .
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