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Bituruna, rota do vinho

Preparativos

Para destinos próximos, geralmente não nos concentramos muito na programação. Ter em mente de maneira geral o que buscar no lugar, é o suficiente. Viagens mais longas, com trajetos mais complicados, com muitas opções de atividades, exigem um planejamento mais cuidadoso. No entanto, para visitar locais próximos, em viagens curtas, uma ideia geral sobre o destino já nos basta. O prazer de explorar e as surpresas que acabamos tendo, valem muito a pena. Uma parada em um posto de gasolina, banca de jornal, padaria ou outros lugares assim, é uma ótima oportunidade pra descobrir atrativos que, muitas vezes, você não vai encontrar no guia de turismo. Principalmente em cidades pequenas, nas quais as informações turísticas não são assim tão divulgadas.

Bituruna, atualmente, é assim. Um destino para quem gosta de bons vinhos, feitos em pequenas vinícolas que começam a crescer e se organizar para atrair mais turistas. A cidade tem uma atmosfera de serra gaúcha, no sul do estado do Paraná. A cidade se estende entre vales, apresentando uma topografia com acentuadas variações de altitude. O município está bem ao lado do Rio Iguaçu, o que, certamente também é um atrativo natural da região.

Os únicos preparativos realizados para a viagem a Bituruna foram uma breve pesquisa na Internet a fim de achar um hotel simples para passar o fim de semana, algumas informações de locais para visitar e abastecer o tanque do carro. Achar um hotel e abastecer o tanque, deu certo. Os locais, acabamos achando por lá mesmo, no estilo citado anteriormente.

Ficamos hospedados no Hotel Jales. Pequeno, muito simples e sem luxos, mas com um atendimento bastante familiar e atencioso. Além disso, não é em todo lugar que se tem pão e bolo caseiros no café da manhã! Ali já conseguimos algumas informações de como chegar às propriedades onde se encontram as vinícolas.

 

Vinícolas, nonos e nonas

Todas as vinícolas com registro são muito próximas do centro da cidade, mas a mais próxima (literalmente dentro da cidade) é a vinícola Bertoletti. Seu Carlo Bretoletti recebe bem, sabe cativar e vender o principal produto da família. Se você realmente gosta da bebida, pode ter certeza de que o papo vai longe, entre um gole e outro. Se você elogiar o vinho da variedade de uva que ele mais aprecia, então, conquistou um amigo e receberá a honra de ser chamado de “bom bebedor de vinho”! Só pra constar, nós tivemos essa sorte! Pra deixar em aberto o mistério, não vamos entregar o segredo. Fica o desafio para você que pretende visitar a vinícola!

Além da vinícola dos Bertoletti, visitamos outras duas, Di Sandi e Sanber. Ambas ficam na Linha Rosário e são fáceis de se localizar. Basta perguntar no hotel em que você estiver hospedado ou na associação mantida pelas vinícolas, da qual falaremos melhor mais adiante. Ambas oferecem degustação e informações sobre os processos de fabricação de seus vinhos. Na vinícola Sanber, aliás, tivemos o prazer de conversar com o Mauro Bertoletti e seu sogro (Dothilo Sandi) que nos ofereceu o vinho que ele bebe diariamente (junto com Dona Frida Müller, sua esposa)  em suas refeições. Nesse caso, um vinho rosé seco, o preferido do casal. A garrafa já estava pela metade, afinal, havíamos chegado na vinícola no período da tarde!

 

Não tinha uma placa à beira do caminho…

Outro lugar que visitamos foi a área de lazer da linha Belt. O local conta com restaurante, quiosques com churrasqueira, área de camping, cancha de bocha, vôlei de areia e futebol suíço. A área fica às margens do Rio Iguaçu e pode render boas fotos. Chegar lá poderia ter sido muito, muito fácil. As placas de sinalização são simples mas indicam muito bem as direções e distâncias. Exceto se, eventualmente, UMA em específico tiver caído, exatamente em uma encruzilhada. O resultado disso é que passamos direto pela entrada do local. Só fomos descobrir isso muito adiante quando encontramos alguns moradores locais, meio desconfiados de ver um carro de passeio em área rural tão distante da cidade. Explicamos onde queríamos chegar. Segundo eles, indo naquela direção, chegaríamos na área de lazer, mas recomendaram que voltássemos até onde deveríamos ter entrado e fôssemos por lá. Ficamos imaginando que, além da distância, provavelmente o carro não chegaria em perfeitas condições, já que a estrada a cada quilômetro estava mais esburacada e cheia de pedras. Voltamos ao local descrito pelos nossos benfeitores do dia e o que encontramos foi a placa mostrada abaixo, derrubada em uma valeta ao lado da estrada. Improvisamos umas pedras pra manter a placa precariamente em pé e seguimos por uma estrada rural muito boa até a área de lazer.


Explorar abre o apetite

Próximo à Vinícola Bertoletti, as vinícolas que têm registro mantêm uma associação onde são expostos e comercializados os seus vinhos e alguns outros produtos típicos da região. Além dos vinhos, você pode encontrar massas congeladas, erva-mate, adegas portáteis e assim por diante. Se você estiver passando rapidamente pela região, esse é um ótimo ponto para levar um pouco dos melhores produtos da cidade, disponíveis em um só local. Isso já é excelente por si só. Mas, além disso, em anexo ao local, funciona um restaurante com comidas típicas italianas onde você pode fazer uma excelente refeição e, claro, tomar um bom vinho. A associação, com o restaurante, fica na saída para União da Vitória. Se você aprecia a cozinha italiana e um bom vinho, é parada obrigatória, não deixe de experimentar!

 

Uma quatro patas atropelada

Na segunda noite que estivemos em Bituruna, testemunhamos o atropelamento de uma cachorrinha Border Collie por uma motocicleta. O casal que estava na moto foi ao chão, mas sem ferimentos graves. Alguns amigos do casal, que estavam passando pelo local, ajudaram a retirar a moto para a lateral da pista e prestaram socorro. A cachorrinha, acabou se ferindo e estava do outro lado da pista, sem conseguir levantar. Improvisamos uma “maca” com os tapetes do carro e a resgatamos. Algumas pessoas que estavam no local indicaram uma casa veterinária que, talvez, pudesse fazer o atendimento da Border. Era um sábado e já havia anoitecido. Fomos até lá, explicamos o que havia acontecido e perguntamos se eles poderiam auxiliar. O proprietário da agropecuária (Marcelo) foi bastante atencioso e solícito. Ajudamos nos custos com a medicação, já que ele se dispôs a tratá-la até que o dono fosse localizado. Mantivemos contato após o acontecido e ficamos sabendo que a cachorrinha se recuperou bem e, por um certo tempo, apesar dos anúncios na rádio da cidade, o proprietário ainda não havia sido encontrado. Já havíamos manifestado o interesse em adotá-la, caso isso realmente se confirmasse. Como o Marcelo frequentemente vem a Guarapuava para buscar suprimentos para a loja, ele mesmo a traria. Porém, após um tempo, voltamos a conversar e ficamos sabendo que o dono da Border Collie a identificou em uma foto, no estande da Levis Agropecuária (onde ela foi atendida), em uma exposição agrícola que estava acontecendo na cidade. Final feliz para o dono da cachorrinha e, com certeza, para ela também.

Mais surpresas do que poderíamos imaginar e a certeza de que precisamos retornar à cidade muitas vezes, afinal, o porta-malas do carro não é tão grande e vinho pesa pra caramba!

Links para mais informações e curiosidades sobre a cidade e suas vinícolas

http://www.bituruna.pr.gov.br/turismo-lista.php

https://www.facebook.com/vinhosbertoletti

http://www.vinicolasanber.com.br/

http://www.disandi.com.br/

 

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Sobre Ricardo Rech

Adora viajar, fotografar e escrever. Viajando descobriu que, no seu caso, o que realmente importa na vida são as histórias pra se viver e pra contar. E ainda acha estranho falar de si mesmo em terceira pessoa.

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Publicado às julho 3, 2013 por em Destinos e Dicas, Geral, Viagens e marcado , , , , , , .
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